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"Não que se trate de uma religião da natureza e que os deuses gregos sejam personificações de forças ou de fenômenos naturais. Eles não são nada disso. O raio, a tempestade, os altos cumes não são Zeus, mas de Zeus. Um Zeus muito além deles, visto que os engloba no seio de uma Potência que se estende a realidades, não mais físicas mas psicológicas, éticas ou institucionais. O que faz de uma Potência uma divindade é o fato de que, sob sua autoridade, ela reúne uma pluralidade de "efeitos", para nós completamente díspares, mas que o grego relaciona entre si porque vê neles a expressão de um mesmo poder exercendo-se nos mais diversos domínios. Se o raio ou as alturas são de Zeus, é que o deus se manifesta no conjunto do universo por tudo o que traz a marca de uma eminente superioridade, de uma supremacia. Zeus não é força natural; ele é rei, detentor e senhor da soberania em todos os aspectos que ela pode revestir." Jean Pierre Vernant